Blog reúne postagens do movimento social afro-brasileiro em Alagoas

Por Lenilda Luna – jornalista. Publicado originalmente no Portal da UFAL <http://www.ufal.edu.br/noticias/2013/08/blog-reune-postagens-do-movimento-social-afro-brasileiro-em-alagoas>

 

Clara Suassuna, diretora do Neab, e o professor Ronaldo Araújo. Foto: Lenilda Luna
Clara Suassuna, diretora do Neab, e o professor Ronaldo Araújo. Foto: Lenilda Luna

O site Òde Ayê Conectado (http://odeayeconectado.org/) será lançado nesta quinta-feira, a partir das 19 horas, no no restaurante Akuaba. A proposta é reunir as postagens de pelo menos 19 blogs ou sites relacionados ao movimento negro em Alagoas. O professor Ronaldo Araújo, de Biblioteconomia, estudioso do ativismo online, e o professor Sivaldo Pereira, de Comunicação, pesquisador sobre a internet, orientaram os bolsistas sobre o embasamento teórico do projeto. “Estamos trabalhando de forma interdisciplinar, com estudantes de Direito, Psicologia, Ciências Sociais e Comunicação. O primeiro passo foi fazer uma conceituação e diagnóstico destes movimentos, depois, cada estudante, em sua área, produziu textos que serão utilizados em uma oficina”, explicou Ronaldo Araújo.

 A ideia é agregar as informações das várias entidades, que tem objetivos comuns. “Percebemos que o movimento negro em Alagoas é bastante distribuído, mas não fragmentado. Podem ser várias entidades, mas que se reúnem em torno de uma agenda comum. Por isso, nossa proposta é agregar as postagens de todos esses atores em um único site, para facilitar o acesso a essas produções. Ao clicar no link, o internauta é direcionado para o blog original, porque nossa intenção não é diminuir o número de visitantes deles, pelo contrário, queremos ajudar a divulgar. Queremos compartilhar as novidades”, ressalta Ronaldo.

Professor Ronaldo Araújo, estudioso do ativismo online. Foto: Lenilda Luna.
Professor Ronaldo Araújo, estudioso do ativismo online. Foto: Lenilda Luna.

Além do aspecto informativo, o projeto quer fomentar o ativismo online. A expressão Òde ayê vem do bantu, dialeto africano que influenciou muitas palavras utilizadas no Brasil, e significa “Para Todos”. Segundo Ronaldo Araújo, os textos compartilhados são notícias sobre as atividades dos movimentos, reflexões sobre as questões étnicas, informações culturais, mas também convocam para manifestações.”O site é resultado de um esforço que conjuga extensão e pesquisa em torno da apropriação tecnológica por movimentos sociais, e no contexto da cultura digital ele pretende reunir e mediar a produção de informações sobre os movimentos sociais afroalagoanos indicando seus atores e suas narrativas”, destaca Ronaldo Araújo.

 Apoio aos cotistas

O projeto Óde Ayê faz parte de um programa mais amplo, que leva o mesmo nome. De acordo com a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro Brasileiros (Neab), Clara Suassuna, os estudantes da Ufal, principalmente aqueles que são aprovados pelo sistema de cotas para afro-descendentes, têm um perfil de baixa renda e encontram muitas dificuldades para se manter no curso. “São alunos que muitas vezes não têm o dinheiro da passagem para vir aos campus todos os dias, por isso, as bolsas de permanência são tão importantes para evitar a desistência deles”, ressalta Clara.

No período de 2005 a 2007, boa parte destes estudantes encontrou apoio no programa Afroatitude, que era financiado pelo Ministério da Saúde. Mas a extinção do programa deixou uma lacuna. “Então as universidades encontraram alternativas para manter as bolsas para afro-descendentes cotistas. Na Ufal, em 2009, criamos o Òde Ayê, que mantém 30 bolsas. Além disso, esses estudantes de baixa renda contam com outros programas da política estudantil desenvolvida pela Proest. Hoje são cerca de mil bolsas para possibilitar que os estudantes mantenham suas atividades acadêmicas”, relata Clara Suassuna.

Os estudantes do projeto Òde Ayê participam de cerca de 26 projetos de extensão aprovados pela Proex. Alguns destes projetos já foram premiados nacionalmente, como a história em quadrinhos “Bonita, como eu!”, produzida pelas alunas Mariana Petróvana e Janaína Araújo. A história ganhou um prêmio no Concurso Nacional de Histórias em Quadrinhos “Irineo José Guimarães” , em 2012, promovido pela Secretaria de Cultura e Turismo de Ponta Grossa, no Rio Grande do Sul. Uma outra história produzida pelas mesmas alunas, “Preto, que nem carvão!”, foi premiada no Concurso Alagoas de Quadrinhos, da Imprensa Oficial do Estado de Alagoas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s