Professor de Biblioteconomia analisa uso do twitter como recurso didático

Por Lenilda Luna – Jornalista. Reproduzido do Portal da UFAL (http://www.ufal.edu.br/noticias/2013/divulgacao-cientifica/professor-analisa-o-uso-do-twitter-como-recurso-didatico-em-sala-de-aula)

Professor Ronaldo Araújo. Foto por Lenilda Luna.
Professor Ronaldo Araújo. Foto por Lenilda Luna.

A princípio, o professor Ronaldo Araújo pretendia apenas conquistar a atenção e a participação dos estudantes da disciplina Informática Aplicada à Biblioteconomia II. Como a estreita ligação entre os jovens e as redes sociais é mais do que conhecida, ele resolveu então utilizar o twitter, o microblog em que os usuários precisam resumir as ideias em 140 caracteres. “Era uma forma de exercitar na prática as informações teóricas da disciplina e também de garantir uma participação mais ampla dos alunos, incluindo os mais tímidos, que quase nunca se manifestam nas aulas, e ainda prender a atenção dos mais dispersos, aqueles que prestam atenção em tudo ao redor, menos na aula”, disse o professor em tom de brincadeira.

No início do semestre de 2011, Ronaldo Araújo propôs aos alunos que ainda não utilizavam o microblog que criassem seus perfis. Depois estabeleceu uma hashtag, ou seja, uma palavra chave que serve como indexador de todas as mensagens sobre o mesmo tema dentro do twitter. Para isso é preciso que o termo seja precedido do símbolo # e assim fica mais fácil buscar todas as mensagens do tópico. A hashtag escolhida foi #infobiblio. “Foi uma escolha interessante porque os alunos usavam mais outras redes sociais, como o facebook e o orkut, e a novidade do twitter já começou atraindo a atenção para as possibilidades de compartilhar impressões sobre a disciplina”, relatou Ronaldo.

As primeiras mensagens compartilhadas já animaram o professor. Os alunos passaram da curiosidade para a participação, de início com a mediação dele, mas logo depois os estudantes se apropriaram da ferramenta e passaram a trocar informações sobre a disciplina mesmo quando o professor não estava incentivando a discussão. Algumas das primeiras mensagens demonstram que o novo recurso didático entusiasmou a turma. “Foi o máximo o professor ter solicitado criar um twitter para os alunos se comunicarem, sobre a disciplina infobiblio”, disse um aluno no início do semestre. “No twitter também!! Se não souber argumentar e principalmente sintetizar as informações… pode ser um completo desastre”, ponderou outro aluno.

De um modo geral, a intenção de dar mais “leveza” as aulas, ou seja, de fazer com que o aprendizado se desse em uma linguagem mais íntima dos estudantes, foi alcançada. Mensagens postadas no microblog revelam a boa aceitação do twitter como recurso didático, integrando teoria e prática na disciplina. “As redes sociais, algumas vezes, fazem os estudos parecerem mais leves, a gente informa e aprende sem parecer uma obrigação”, comentou um dos alunos. “A web 2.0 é um espaço onde as pessoas podem interagir, trocar informações, modificar e criar conteúdos”, concluiu outro estudante.

Análise da experiência

A estratégia didática acabou se tornando também objeto de pesquisa. “As discussões em torno da disciplina postadas no microblog Twitter foram monitoradas com o propósito de averiguar a possibilidade do uso de recursos da web 2.0 como aportes metodológicos ao ensino da disciplina. Ao todo foram identificados 514 tweets e pelo perfil de compartilhamento (distribuição das mensagens por mês, dia da semana e horário do dia) e das conversações estabelecidas (mentions, replies, e retweets) considera-se que a ferramenta utilizada confirma a lógica de um recurso baseado no contexto da web 2.0, que por sua premissa de interação e colaboração, facilita a participação e engajamento dos alunos na disciplina”, relatou o professor.

Este relato foi publicado na Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, da Universidade Federal de Santa Catarina, com o título “A prática pedagógica no ensino de biblioteconomia: interação e colaboração no contexto da web 2.0”. Segundo o professor, o artigo cumpriu dois objetivos, primeiro reforçar que a prática de ensino pode ser objeto de investigação, ou seja, é preciso refletir cientificamente sobre a forma como se compartilha conhecimento em sala de aula, porque este é processo que sofre muitas inferências e mudanças. “Pensar a educação no contexto de uma constante evolução tecnológica leva ao reconhecimento das alterações significativas das práticas pedagógicas, o que exige a contínua reformulação do trabalho docente”, destacou Ronaldo Araújo.

O outro objetivo foi de quebrar barreiras, enfrentar as resistências com relação as redes sociais, já que elas fazem parte da vida das pessoas e são utilizadas em vários ambientes, alterando a forma de comunicação em família, no trabalho e no local de estudo. “A universidade também precisa ter estratégias para o uso das redes sociais. Não podemos ficar alheios as formas de interação que surgiram com as novas tecnologias e criaram uma nova dinâmica de diálogo e interação”, disse o professor. Ronaldo Araújo levantou essa questão logo na introdução do artigo publicado sobre essa experiência em sala de aula.

“Mesmo com algumas discordâncias pontuais, já é possível perceber certo consenso sobre um conjunto relativamente homogêneo de características que situa as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no processo de aprendizagem e que lhes atribui uma dimensão prática adaptada aos dias atuais e às demandas por universalização de processos de ensino”, ressaltou ele no texto.

O professor de Biblioteconomia, que está cursando doutorado, pretende aprofundar o estudo sobre o tema, e revelou isso no artigo publicado na revista eletrônica. “Refletir sobre a apropriação e o uso das TICs na educação é necessariamente repensar o papel do professor no trabalho docente e, consequentemente, sua prática pedagógica, o qual em um cenário de constante avanço tecnológico é cada vez mais alterado para uma lógica que tende a condizer com as manifestações de uma sociedade em rede ou mesmo sociedade da informação”, destacou Ronaldo Araújo.

Leia o artigo do professor Ronaldo Araújo no link.

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