Empresas abrem vagas para bibliotecários

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Por Thays Puzzi/Especial para o JL

Há quem ainda pense que um bibliotecário é aquele profissional pacato, que se atém a apenas organizar e emprestar livros de um acervo moroso e cheio de poeira. Engana-se. A profissão, uma das mais antigas do mundo, acompanha o ritmo acelerado das novas tecnologias e exige, além de senso crítico apurado, espírito investigativo, boa comunicação e muito dinamismo.

Conforme a chefe do departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ivone Guerrido Di Chiara, com a chegada de novas ferramentas, principalmente a internet, houve uma quebra de paradigmas vigentes na profissão. “Foi um divisor de águas. Antes o bibliotecário tinha a posse do acervo. Agora diferentes tecnologias viabilizaram e começaram a promover o acesso a informações que não estão disponíveis só fisicamente.”

Habilitado basicamente para coletar, organizar e distribuir informação utilizando diferentes técnicas e ferramentas, o bibliotecário encontra no mercado grandes oportunidades de atuação. No Paraná, as universidades são as maiores empregadoras. Mesmo com um piso salarial estadual de R$ 1.200, o profissional pode chegar a ganhar R$ 8 mil. “Um bibliotecário com mestrado em início de carreira chega a ganhar mais do que um professor da área”, afirma Ivone.

Atuação em empresas

Mas atuar em bibliotecas universitárias e escolares não é a única opção. Segundo a coordenadora acadêmica do curso de biblioteconomia da UEL, Maria Júlia Giannasi Kaimer, cada vez mais as organizações buscam pessoas habilitadas para gerenciar suas informações.

“Se uma empresa não organiza as informações que produz, acaba perdendo espaço no cenário da competitividade”, ressalta Maria Júlia. Segundo ela, não há mais a possibilidade de se contratar um profissional para lidar com a informação que não domine as técnicas de um bibliotecário. “Esse acaba sendo o diferencial para uma empresa.”

Espaço no mercado

A coordenadora também destaca que os alunos da última turma que se formou na UEL, a única instituição paranaense com graduação em biblioteconomia, estão em sua maioria empregados. “Aqueles que se preocupam com a educação continuada conseguem se inserir no mercado com facilidade.” É o caso de Richele Grenge Vignoli, graduada em 2008 pela UEL. Há seis meses atuando no gerenciamento de informações de uma transportadora de produtos químicos de Londrina, Richele garante que esse novo nicho necessita de profissionais qualificados. A bibliotecária também presta consultoria para outra empresa do ramo. “Vale a pena investir. Além de ser uma atuação bastante interessante, dá um retorno melhor do que se estivesse trabalhando em uma biblioteca”, salienta.

“Nós fazemos o controle do conhecimento humano”

Basicamente existem quatro tipos de bibliotecas: as universitárias, as escolares e infantis, as públicas e as especializadas. Esta última, direcionada a algum tema ou abordagem, está cada vez mais presente no cotidiano de grandes corporações.

É o que ocorre na Embrapa Soja de Londrina. Com um acervo que chega à casa dos 30 mil livros, a empresa disponibiliza para a sociedade uma biblioteca que concentra todo tipo de informação sobre soja.

Além de manter, atualizar e disseminar essas informações aos usuários, a biblioteca ainda realiza a editoração de tudo que é produzido pelos pesquisadores da instituição. “Fazemos a normatização bibliográfica de pesquisas, artigos que serão publicados”, explica o coordenador bibliotecário da Embrapa Soja, Ademir Benedito Alves de Lima. Ele atua nesse cargo desde a década de 1980.

Ele, que disse ter encontrado realização profissional na área, afirmou que esse é um campo que está em alta. “Nós fazemos o controle do conhecimento humano. Olhamos o que já existe para possibilitar o surgimento de novas informações, ou seja, o cuidado para que não se reinvente a roda”, observou.

A estudante de Biblioteconomia da UEL e estagiária da Embrapa, Clotilde da Luz, não esconde a satisfação. “É uma profissão instigante, que aguça o senso investigativo. Muitos pesquisadores me entregam listas com referências bibliográficas e tenho que organizar e passar essas informações da melhor maneira”, afirma.

Biblioteca municipal também busca atualização

Com 75 mil livros no acervo, sem contar os periódicos, a Biblioteca Pública de Londrina está com um projeto de reestruturação que prevê a readequação do espaço físico, além da informatização do atendimento aos usuários.

De acordo com diretor das bibliotecas municipais de Londrina, Rovilson José da Silva, o projeto será desenvolvido em três etapas e tem início neste ano: serão melhorias na estrutura física da Biblioteca Pública, como os sistemas de iluminação, ventilação, elétrico e hidráulico.

Conforme Rovilson, a proposta ainda é chegar em 2012 com parte do sistema informatizado. “Como já ocorre em grandes centros, a idéia é que aqui funcione o sistema de bibliotecas do Município. Junto a todo esse processo também serão realizadas formações continuadas dos profissionais. Eles precisam estar em contato direto com as novas tendências”, explica.

Fonte: Jornal de Londrina (http://portal.rpc.com.br/jl/online/conteudo.phtml?tl=1&id=926176&tit=Empresas-abrem-vagas-para-bibliotecarios)

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